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Pelos 60 anos de judô, sensei Yoshihiro Okano é tema de reportagem do jornal Folha de Londrina

Por Lucio Flávio Cruz FOLHA DE LONDRINA

Foto: Anderson Coelho / Folha de Londrina


O sorriso fácil e a fala mansa são características marcantes deste senhor quase octogenário, que através do esporte mudou a própria vida e a história do judô paranaense. Yoshihiro Okano, ou simplesmente professor Okano. Impossível falar de judô sem se lembrar de quem está completando 60 anos de dedicação ao esporte.

Apesar da descendência nipônica, o professor conheceu a arte marcial secular somente aos 17 anos de idade, por acaso. A apresentação tardia não foi capaz de atrapalhar essa relação que se tornaria tão íntima, como o convívio entre marido e mulher.

“Fui apresentado ao judô em 1955, sem muita pretensão. E acabei gostando. O judô mudou minha vida”, conta Okano, que faz questão de não se esquecer do seu primeiro mestre: Ikuo Suzuki. “O que aprendi com ele procuro preservar e passar para os meu alunos: o judô atinge a parte invisível e não palpável do indivíduo. Ele forma cidadãos para a vida”, ensina o professor, de 77 anos, que teve o seu registro de nascimento confeccionado em Nova Dantzig, primeiro nome de Cambé e, na época, distrito de Londrina.O judô entraria definitivamente para a vida de Okano em 1967, quando após um convite abandonou o emprego de torneiro mecânico na Companhia Cacique de Café Solúvel. O, até então, atleta havia acabado de ser convocado pela quarta vez para representar o Paraná em um campeonato brasileiro. “O diretor do Marista me chamou, me perguntou o que era judô e disse que a partir de 1968 teria uma academia no colégio e eu seria o responsável. Foi meu último emprego como torneiro”, relata o professor, em tom quase inaudível e pausado, característico dos grandes mestres.

Desde então, a Academia Okano se tornou uma referência em Londrina. Funcionou durante 45 anos no Canadá e, recentemente, com o fim das atividades do clube vermelhinho, se transferiu para a Associação dos Funcionários da Sanepar. “A Academia Okano está na segunda geração, com o comando agora do meu filho, Roberto”, completa, orgulhoso.

O judô o levou ao curso de Educação Física. Formado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1975, Okano foi professor na instituição durante 28 anos e fez mestrado no Japão, berço da modalidade. Em 2014, foi certificado com o 9º DAN, grau máximo que pode ser alcançado no judô brasileiro. Somente outros dois paranaenses possuem esta honraria.

Com a experiência de quem tem uma vida inteira dedicada à modalidade, Okano é membro do Conselho Nacional de Graus, que normatiza e acompanha as promoções no País, e há mais de 30 anos é o responsável pelo curso preparatório de promoção de grau no Paraná e em outros diversos estados brasileiros. “A minha dedicação não foi só para os meus alunos e acho que de alguma forma contribui para o desenvolvimento do esporte no Paraná e no Brasil.”

O professor reconhece que o judô atual é muito mais comercial e com o propósito de vencer, o que o afasta da sua essência. Para Okano, o judô brasileiro evoluiu muito, mas ainda peca na renovação. “O nosso trabalho de base ainda deixa a desejar. No Japão, o surgimento de novas gerações é muito mais constante”, aponta.

Perguntado sobre o segredo de uma vida inteira dedicada ao esporte, o professor é direto. “É preciso ter dedicação ininterrupta e tenho que agradecer à minha família, por ter saúde e longevidade.” E para quem acha que, depois de 60 anos, Okano já se cansou e pensa em se aposentar, o mestre dá o recado: “só vou parar o dia que meu coração não quiser mais.”

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